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As Sombras de Sophia


Além do bem e do mal, nos provoca a refletir:
"Quando você olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você"


Num lugar anterior ao tempo,
Sophia já dançava com esse presságio.
Ela via o que escapa aos olhos divinos:
as possibilidades profanas à espreita,
ocultas nas entrelinhas do caos.

É como olhar para as nuvens
em tardes de sol calmo
e vê-las, inquietas,
moldarem formas sobre formas
sem jamais se deterem.

E nós em meio a isso?
Seguimos fitando sombras,
interpretando reflexos,
abraçando o que parece ser —
mas não é.

Na tentativa de retornar para a  beleza original
Do plano onde as ideias são perfeitas 
Onde não veremos apenas reflexos
E sim, a realidade sem os véus das ilusões...











A Fusão

🐦‍🔥ℙ𝕒𝕣𝕥, 𝕀

Em meu coração
há um pássaro negro
que voa na noite
sem destino.

Sua contraparte,
que voava na luz do dia,
em direção ao sol,
queimou as asas
e está gravemente ferido —
mas ainda vive.

Durante o silêncio
em solitude, quando ninguém
esta olhando, eu lhe digo:

você vai ficar bem.
E voaremos juntos novamente,
direto para o amor.
Esse é o nosso
pacto secreto.

ℙ𝕒𝕣𝕥, 𝕀𝕀

Na penumbra da manhã,
quando o mundo ainda dorme
e o tempo suspira devagar,
os pássaros se encontram.

O negro, cansado de fugir
moldado na noite,
trazia em si o silêncio do abismo.
O branco, cansado de cair
marcado pelo desejo de altura.

E ali, no limiar entre noite e dia,
olham-se como espelhos
que enfim se compreendem.

E ao se tocarem,
não houve choque —
houve música.
Fundiram-se

Alçando voo,
não para o sol,
mas para além dele
onde o amor não queima





Impermanência do tempo

 

Das belezas passageiras
me apeguei ao bem-estar
naquele tempo, onde o charco
ainda estava fresco.

Tudo passa, me disseram:
o mal-estar passará,
a bem-aventurança passará.

A juventude passa.
Passou,
por entre meus dedos,
diante de meus olhos.

O questionamento passa,
e a resposta passará.
Tudo acaba e se renova.
De onde surgiu esse plano?

Funesto.
A vida passa, enquanto
a impermanência reina
sobre o tempo
.




𝕍𝕖𝕣𝕤𝕠𝕤 𝕒𝕠 𝕧𝕖𝕟𝕥𝕠

Esses versos são véus, 

não dizem de mim 

Sou o sopro que 

escapa entre palavras,

e o coração, ah… 

esse, já não é meu.

Pertence ao vento, 

ao dia que passa

sem pressa de ficar.


E, no entanto, co-criamos

jardins onde antes era pedra,

paisagens que nascem

no compasso do olhar calmo.

Nos caminhos do coração,

ainda pulsa uma canção

serena, quase esquecida.



 



Atemporal ⌛

Espelho d'água em movimento,
Em meio à turbulência deste dia,
Os elementos se encontram em harmonia,

Desenhando no ar um horizonte infindo,
Com suas cores que dançam nas sombras da luz.
Este janeiro é de poesia fúnebre,

Onde a morte e a vida se abraçam,
Como uma fênix,
Que das cinzas se levanta
E finalmente, alça voo.

Encontrei-me com mestres, vaidosos,
E, pelo caminho, proferi palavras vãs,
"Histórias torpes exauriram a jovem inocência"

Na quietude da noite,
Caminhei entre os solitários pensadores,
Observando o mundo
E por ele sendo absorvida 




Suspiro de Liberdade

A roda da vida segue a girar Passei pelo luto e pela dor — experimentei a liberdade toquei a alegria Apesar da leveza do ser um suspiro pesa...