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MemĂłria Solar

Guardei um registro fulgurante!
a tarde que caminhĂĄvamos
pela orla incandescente,
e os corpos se espelhavam...

VocĂȘ me disse que eu era ferro,
ainda sim, escolhi cada instante
da sua presença antídoto.

Na borda solar, 
imaginĂĄvamos riquezas sem cifras. 
Rimos diante de silhuetas espectrais
e, naquele instante, 
Despertei, daquele sonho dourado...












As Sombras de Sophia


Além do bem e do mal, nos provoca a refletir:
"Quando vocĂȘ olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para vocĂȘ"


Num lugar anterior ao tempo,
Sophia jå dançava com esse pressågio.
Ela via o que escapa aos olhos divinos:
as possibilidades profanas Ă  espreita,
ocultas nas entrelinhas do caos.

É como olhar para as nuvens
em tardes de sol calmo
e vĂȘ-las, inquietas,
moldarem formas sobre formas
sem jamais se deterem.

E nĂłs em meio a isso?
Seguimos fitando sombras,
interpretando reflexos,
abraçando o que parece ser —
mas nĂŁo Ă©.

Na tentativa de retornar para a  beleza original
Do plano onde as ideias sĂŁo perfeitas 
Onde nĂŁo veremos apenas reflexos
E sim, a realidade sem os véus das ilusÔes...











A FusĂŁo

🐩‍đŸ”„â„™đ•’đ•Łđ•„, 𝕀

Em meu coração
hĂĄ um pĂĄssaro negro
que voa na noite
sem destino.

Sua contraparte,
que voava na luz do dia,
em direção ao sol,
queimou as asas
e estĂĄ gravemente ferido —
mas ainda vive.

Durante o silĂȘncio
em solitude, quando ninguém
esta olhando, eu lhe digo:

vocĂȘ vai ficar bem.
E voaremos juntos novamente,
direto para o amor.
Esse Ă© o nosso
pacto secreto.

â„™đ•’đ•Łđ•„, 𝕀𝕀

Na penumbra da manhĂŁ,
quando o mundo ainda dorme
e o tempo suspira devagar,
os pĂĄssaros se encontram.

O negro, cansado de fugir
moldado na noite,
trazia em si o silĂȘncio do abismo.
O branco, cansado de cair
marcado pelo desejo de altura.

E ali, no limiar entre noite e dia,
olham-se como espelhos
que enfim se compreendem.

E ao se tocarem,
nĂŁo houve choque —
houve mĂșsica.
Fundiram-se

Alçando voo,
nĂŁo para o sol,
mas para além dele
onde o amor nĂŁo queima





ImpermanĂȘncia do tempo

 

Das belezas passageiras
me apeguei ao bem-estar
naquele tempo, onde o charco
ainda estava fresco.

Tudo passa, me disseram:
o mal-estar passarĂĄ,
a bem-aventurança passarå.

A juventude passa.
Passou,
por entre meus dedos,
diante de meus olhos.

O questionamento passa,
e a resposta passarĂĄ.
Tudo acaba e se renova.
De onde surgiu esse plano?

Funesto.
A vida passa, enquanto
a impermanĂȘncia reina
sobre o tempo
.




đ•đ•–đ•Łđ•€đ• đ•€ 𝕒𝕠 đ•§đ•–đ•Ÿđ•„đ• 

Esses versos sĂŁo vĂ©us, 

nĂŁo dizem de mim 

Sou o sopro que 

escapa entre palavras,

e o coração, ah… 

esse, jĂĄ nĂŁo Ă© meu.

Pertence ao vento, 

ao dia que passa

sem pressa de ficar.


E, no entanto, co-criamos

jardins onde antes era pedra,

paisagens que nascem

no compasso do olhar calmo.

Nos caminhos do coração,

ainda pulsa uma canção

serena, quase esquecida.



 



NĂŁo adentre a boa noite apenas com ternura | Dylan Thomas


 “NĂŁo adentre a noite apenas com ternura.

A velhice queima e clama ao cair do dia.

FĂșria, fĂșria contra a luz que jĂĄ nĂŁo fulgura.

Embora seja ao sĂĄbio, no fim, a treva que perdura,

Pelas palavras que nĂŁo reluzem Ă  centelha tardia,

NĂŁo adentre a boa noite apenas com ternura.

Ao bom, no ultimato, chorando com tristura

Suas fracas açÔes, na dança que as brilharia,

FĂșria fĂșria contra a luz que jĂĄ nĂŁo fulgura.

Ao Livre, qual sustou o sol, do voo, com fartura,

E aprendeu, tarde, que assim seu caminho afligia,

NĂŁo adentre a boa noite apenas com ternura.

Ao sĂ©rio, rente Ă  morte, que vĂȘ com negrura.

A Cegueira pode, qual cometa, queimar em alegria.

FĂșria, fĂșria contra a luz que jĂĄ nĂŁo fulgura.

E a ti, meu pai, rezo eu, que da triste altura,

A mim pragueis e benzeis, com sua lĂĄgrima bravia.

NĂŁo adentre a boa noite apenas com ternura.

FĂșria, fĂșria contra a luz que jĂĄ nĂŁo fulgura.”


SĂł | Edgar Allan Poe


NĂŁo fui, na infĂąncia, como os outros

e nunca vi como outros viam.

Minhas paixÔes eu não podia

tirar de fonte igual Ă  deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sĂłzinho.

Assim, na minha infĂąncia, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarÔes dourados;

e dos relĂąmpagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovĂŁo, da tempestade,

daquela nuvem que se alterava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demĂŽnio, ante meus olhos.










Atemporal ⌛

Espelho d'ĂĄgua em movimento,
Em meio Ă  turbulĂȘncia deste dia,
Os elementos se encontram em harmonia,

Desenhando no ar um horizonte infindo,
Com suas cores que dançam nas sombras da luz.
Este janeiro Ă© de poesia fĂșnebre,

Onde a morte e a vida se abraçam,
Como uma fĂȘnix,
Que das cinzas se levanta
E finalmente, alça voo.

Encontrei-me com mestres, vaidosos,
E, pelo caminho, proferi palavras vĂŁs,
"HistĂłrias torpes exauriram a jovem inocĂȘncia"

Na quietude da noite,
Caminhei entre os solitĂĄrios pensadores,
Observando o mundo
E por ele sendo absorvida 




Liturgia do sonhar

  Morpheus, escultor de nĂ©voas, teço-me em teus dedos como bruma que dança no ventre da noite. Tu, que bordas silĂȘncios com fios de est...