Vi a lâmpada em meu coração
não somos mais os mesmos,
mas também não deixamos de ser
quem sempre fomos.
A cada vez que te olho,
profundamente, nos olhos,
teu fascínio me envolve
em densa névoa de ilusão.
Saborosos — teus lábios.
Teu farto cabelo emoldura lhe
A face: plácida.
Amo-te mais do que
sempre amei,
e jamais amarei —
pois tu, minha doce,
amarga donzela, és tudo
que existiu e existirá:
minha alegria... vem de você!
E minha devoção e pra você
Este amor, para sempre,
ficará em mim,
pois sou tudo o que há
Em ti
Num lugar anterior ao tempo,
Sophia já dançava com esse presságio.
Ela via o que escapa aos olhos divinos:
as possibilidades profanas à espreita,
ocultas nas entrelinhas do caos.
É como olhar para as nuvens
em tardes de sol calmo
e vê-las, inquietas,
moldarem formas sobre formas
sem jamais se deterem.
E nós em meio a isso?
Seguimos fitando sombras,
interpretando reflexos,
abraçando o que parece ser —
mas não é.
Na tentativa de retornar para a beleza original
Do plano onde as ideias são perfeitas
Onde não veremos apenas reflexos
E sim, a realidade sem os véus das ilusões...
Por onde se vai, sem demora,
Só pulsa o eterno agora.
Nem ontem, nem o que virá,
A vida é o passo que há.
No âmago da estação silente,
Há sinais em cada semente —
O frio que tudo parece apagar
É o rito oculto que já não fulgura.
No meu aniversário estava na plateia de um ensaio que acontecia em um estúdio de música, assistindo André Matos cantar Carry On. Permanecia de pé, observando-o de perfil. Havia uma barreira física entre nós e o palco, e eu cantava emocionada em perfeita sincronia, bem próxima a essa divisória.
De repente, André notou minha presença. Caminhou em minha direção olhando profundamente nos meus olhos, com um sorriso contagiante, me entregou o microfone no último refrão, e cantei a plenos pulmões: "The remains from the past, to carry on, The remains from the past..." para a plateia que nos ouvia não houve troca de som, o nosso timbre era idêntico, como se fosse uma única voz, continua... Em seguida ele, virou-se e saiu.
Fiquei em êxtase. A força emanada de sua presença e a potência daquele vocal reverberavam de forma avassaladora, entorpecendo todos os meus sentidos, meu corpo vibrava inebriado com ondas pulsantes de calor que irradiava de dentro para fora. Como se algo tivesse despertado em mim, acordei tomada por uma comoção profunda — algo em meu coração se transformou para sempre neste dia.
Das belezas passageiras
me apeguei ao bem-estar
naquele tempo, onde o charco
ainda estava fresco.
Tudo passa, me disseram:
o mal-estar passará,
a bem-aventurança passará.
A juventude passa.
Passou,
por entre meus dedos,
diante de meus olhos.
O questionamento passa,
e a resposta passará.
Tudo acaba e se renova.
De onde surgiu esse plano?
Funesto.
A vida passa, enquanto
a impermanência reina
sobre o tempo.
Esses versos são véus,
não dizem de mim
Sou o sopro que
escapa entre palavras,
e o coração, ah…
esse, já não é meu.
Pertence ao vento,
ao dia que passa
sem pressa de ficar.
E, no entanto, co-criamos
jardins onde antes era pedra,
paisagens que nascem
no compasso do olhar calmo.
Nos caminhos do coração,
ainda pulsa uma canção
serena, quase esquecida.
A roda da vida segue a girar Passei pelo luto e pela dor — experimentei a liberdade toquei a alegria Apesar da leveza do ser um suspiro pesa...