Presente Onírico Part. I

Certa vez, sonhei que caminhava descalço na praia das dunas em cabo frio, meus pés tocando a areia me trazia uma sensação de calor reconfortante. A brisa leve e refrescante acariciava meu rosto, trazendo consigo o acalento que aquecia meu coração. Sentei-me à beira do mar, a agua estava tranquila. Tirei do bolso um bloco de notas, e os versos derramando-se no papel, sem que eu precisasse anota-los:.
 Na imensidão tranquila desse infinito azul
contemplei a paz em meu coração.
Um silêncio profundo,
Se rompe em uma canção
celeste, ecoando o vasto infinito.
A vibração das notas invade o meu ser,
E meus olhos flamejantes
se perdem no horizonte.
Sento-me à beira-mar, observando os passos 
meus deixados na areia,
me pergunto, em silêncio:
Que segredos a próxima onda
me trará, desta vez? 
De repente, um estrondo rompeu a harmonia do silêncio. Olhei para o horizonte e vi, um caminhão pesado deslizando lentamente sobre as águas. Mesmo assim, o mar não se agitou, e o azul tranquilo permaneceu intocado. E ali, em meio ao paradoxo, eu entendi que a essência interior não se deixa abalar, mesmo pelos maiores estrondos da realidade.



Não adentre a boa noite apenas com ternura | Dylan Thomas


 “Não adentre a noite apenas com ternura.

A velhice queima e clama ao cair do dia.

Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura.

Embora seja ao sábio, no fim, a treva que perdura,

Pelas palavras que não reluzem à centelha tardia,

Não adentre a boa noite apenas com ternura.

Ao bom, no ultimato, chorando com tristura

Suas fracas ações, na dança que as brilharia,

Fúria fúria contra a luz que já não fulgura.

Ao Livre, qual sustou o sol, do voo, com fartura,

E aprendeu, tarde, que assim seu caminho afligia,

Não adentre a boa noite apenas com ternura.

Ao sério, rente à morte, que vê com negrura.

A Cegueira pode, qual cometa, queimar em alegria.

Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura.

E a ti, meu pai, rezo eu, que da triste altura,

A mim pragueis e benzeis, com sua lágrima bravia.

Não adentre a boa noite apenas com ternura.

Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura.”


Só | Edgar Allan Poe


Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar de fonte igual à deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sózinho.

Assim, na minha infância, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarões dourados;

e dos relâmpagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alterava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demônio, ante meus olhos.










Olhar eterno

Eu sou o sol,
do meu próprio sistema,
Como um demiurgo,
teço com raios invisíveis
a teia do existir.

Sou a força que cria,
o pulsar que anima o mundo,
onde sombras e luzes dançam
sob o meu olhar eterno.

Em cada átomo, um reflexo
do meu ser incandescente.
E assim, ao meu redor,
co-crio o cosmos em expansão.






Atemporal ⌛

Espelho d'água em movimento,
Em meio à turbulência deste dia,
Os elementos se encontram em harmonia,

Desenhando no ar um horizonte infindo,
Com suas cores que dançam nas sombras da luz.
Este janeiro é de poesia fúnebre,

Onde a morte e a vida se abraçam,
Como uma fênix,
Que das cinzas se levanta
E finalmente, alça voo.

Encontrei-me com mestres, vaidosos,
E, pelo caminho, proferi palavras vãs,
"Histórias torpes exauriram a jovem inocência"

Na quietude da noite,
Caminhei entre os solitários pensadores,
Observando o mundo
E por ele sendo absorvida 




Metamorfose do Ar

 Sonhava que treinava em uma pista de moto escola, mas, ao invés de aprender a pilotar uma moto, eu usava meu próprio corpo como propulsão. Acelerava até atingir a velocidade máxima, me lançando para o alto, transformando-me em um dragão cinza e fluido. Voava em espirais pelos céus noturnos, minha forma serpenteando no ar me trazia forte senso de adrenalina, liberdade e poder. A pressão atmosférica pressionava minha face com força, uma sensação de domínio que durava apenas breves minutos, até que perdia velocidade e voltava à forma humana, tocando o solo. Minha essência era fluída, como se minha substância fosse feita de éter, a sensação de fluidez da cauda do dragão dançando pelas correntes de ar, me traziam uma graça hipnótica, acordei em êxtase intenso  



𝕱𝖊𝖘𝖙𝖆 𝖊𝖘𝖙𝖗𝖆𝖓𝖍𝖆 𝖈𝖔𝖒 𝖌𝖊𝖓𝖙𝖊 𝖊𝖘𝖖𝖚𝖎𝖘𝖎𝖙𝖆

𝟔 𝒅𝒆 𝒂𝒈𝒐𝒔𝒕𝒐 𝒅𝒆 𝟐𝟎𝟐𝟏, 𝑹𝒆𝒈𝒊𝒔𝒕𝒓𝒐 𝑶𝒏í𝒓𝒊𝒄𝒐🌙 𝑩𝒆𝒍𝒐 𝑯𝒐𝒓𝒊𝒛𝒐𝒏𝒕𝒆

𝔈𝔠𝔬𝔰 𝔫𝔬𝔱𝔲𝔯𝔫𝔬𝔰

❝ Não tenha medo da solidão!
a salvação não chega a cavalo,
ao final de noites vazias. 
Nos sentamos em ruas sombrias,
Esperando o beijo da redenção...
Toda esperança,
esta noite foi em vão ❞





Liturgia do sonhar

  Morpheus, escultor de névoas, teço-me em teus dedos como bruma que dança no ventre da noite. Tu, que bordas silêncios com fios de est...