O Enigma da Bruxa

🌕 28 de Fevereiro de 2024, Quarta-Feira - Lua Cheia

No estado etéreo da consciência, atravessei os portões daquela cidadela Lyra van Garden, fundada por Lua Valentia no plano astral. Logo na entrada, um jardim exuberante com folhagens exóticas e altivas, havia naquele lugar um magnetismo implacável que me fazia seguir adiante com curiosidade.
    Observar a rotina da bruxa que edificou aquele impĂ©rio, homens poderosos, de terras distantes e realidades paralelas, vinham visita-la fascinados, pelo poder que ela irradiava. Entre os visitantes, se destacava um cavalheiro americano com trajes do sĂ©culo XVIII. Este a cortejava com elegância, mas por trás dos gestos refinados, escondia a ambição crua de destroná-la. Durante um passeio pelo jardim tive uma visĂŁo remota: vislumbrei o instante exato em que, ao se aproximarem das imensas plantas carnĂ­voras, ele a beijaria apenas para empurrá-la para o abraço Ă  mortal da planta. 
    Mas Lua antecipou-se ao golpe, no momento em que estavam diante das sinistras vegetação mortal, ela assumiu o controle. Beijou-o primeiro  com intensidade e domĂ­nio e, num gesto rápido, inverteu os papĂ©is. E por fim foi ele quem terminou devorado, entregue Ă s mandĂ­bulas famintas das plantas. O jardim mergulhou em um silĂŞncio fĂşnebre, rompido apenas pelo som viscoso da digestĂŁo. Um aroma ácido tomou o ar. Lua, impassĂ­vel, nĂŁo olhou para trás. E fui levada de volta para meu quarto...




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